A Liberdade

O que significa ser livre? Talvez a resposta mais imediata seja simplesmente poder fazer aquilo que queremos: ir aonde quisermos, escolher o que desejamos e viver sem que ninguém nos diga o que fazer. Mas, quando olhamos com um pouco mais de atenção, percebemos que a liberdade pode ser muito mais complexa do que a ausência de uma prisão ou de um limite externo. Podemos estar livres por fora e, ainda assim, presos por dentro; podemos fazer aquilo que desejamos e, mesmo assim, sermos dominados pelos nossos próprios desejos. Afinal, ser livre é fazer o que queremos ou existe algo além disso? E não, este texto não é sobre Harry Potter, apesar de ser um bom tema.

Jonathan Santos

8/24/20265 min read

Escreva aqui o conteúdo do postHá alguns meses, me fizeram um convite para estar ministrando louvor em um presídio e, por conta desse convite, me peguei pensando, nos dias seguintes, em como deveria ser o ambiente. Estar preso não deve ser algo nada bom e, então, comecei a refletir sobre a liberdade.

Esse tema, por si só, aparentemente parece bem simples. Afinal, liberdade é poder fazer o que quero, na hora que quero, ir aonde quero, falar o que quero etc. Mas aí veio a pergunta: a liberdade é algo que nos caracteriza como pessoa — “sou livre” — ou ela é algo que é condicional a você — “estou livre”? Poderia alguém passar 30 anos em regime fechado em uma penitenciária e, assim que obtivesse a saída daquele lugar, dizer: “Enfim, estou livre”, mas ainda estar anos-luz de ser uma pessoa livre? É uma boa pergunta, mas isso levanta outra questão: o que é ser livre, então? Existe essa possibilidade? Ou apenas somos condicionados a ela e, aí, depende do ambiente em que estou: em um ambiente X, tenho mais liberdade do que no ambiente Y; ou, na situação Z, consigo ter mais liberdade do que na W.

Isso me fez lembrar de um episódio do apóstolo Paulo e Silas, no qual eles estavam indo orar e, no meio do caminho, foram presos. Na cadeia — lugar que não estava nos seus planos —, eles oraram. Visivelmente, mesmo com o poder de ir e vir sendo tirado deles, realizaram aquilo a que tinham se proposto naquele dia. E, então, o poder de ir e vir não pode ser o fator determinante para caracterizar um exemplo de liberdade. Então, qual seria?

Há uma escola de pensamento que vem do filósofo Kant, que defende a ideia de que a liberdade é a autonomia da vontade. Com isso, podemos pensar em alguém que é viciado em drogas, pornografia ou álcool. O cérebro aprende, atribui valor às recompensas e responde aos estímulos relacionados. Essa é uma bela forma de pensar, mas levanta outro problema. Se isso é, de fato, a liberdade, então a cobiça não seria um erro? Se eu desejar algo ou alguém e, mesmo assim, não for fazer, isso não me faz livre do desejo por aquele objeto e, aí, de toda forma, virei escravo do desejo ou da vontade de desejar algo que eu não quero.

Isso também me faz lembrar de outro episódio de Paulo, que fala que o mal que ele não queria fazer, esse ele fazia, e o bem que ele queria fazer, esse ele não fazia. Você pode até pensar: “Mas só desejar não é fazer.” Bom, para a sociedade, pode até não ser, mas, para o seu corpo, mente e alma, pensar em fazer algo que você não gostaria de fazer, ou que você nunca faria se soubessem, corrompe da mesma forma que se você tivesse ido e feito. Só que um irá promover remorso, enquanto o outro, um amor platônico. Em ambos os casos, você nunca seria livre. E fica a pergunta: será que mesmo a autonomia da vontade resolve completamente o problema da liberdade?

Sou carioca, nasci em São João de Meriti – RJ. Hoje moro em Pindamonhangaba – SP. Aos que já puderam vivenciar os dois lugares, sabem que existe um poço de diferença cultural entre os dois lugares. Porém, eu gostaria de ressaltar apenas uma: a comunicação.

Existe uma máxima que diz que o conhecimento liberta, e ela parece bastante razoável quando aplicada a esse exemplo. O carioca (pelo menos de onde eu vim) tem o costume de se comunicar colocando suas frases no imperativo: “Pega aquilo para mim, por favor!”, “Vem aqui!”, “Faz tal coisa!”.

Para o pindense, isso é um absurdo, e é por isso que, em grande escala, os cariocas são considerados por eles “folgados”. Para eles, o carioca tem um jeito abusado de ser por conta disso. Mas como é que o carioca saberia disso? E como o pindense teria noção de que, na cabeça do carioca, não há nada demais nisso? Ele não precisa falar: “Será que você pode, por favor, pegar aquilo para mim?”. O simples fato de serem colegas ou amigos lhe dá a liberdade de apenas pedir algo, e você, por ser amigo dele, vai fazer. E, se não puder, está tudo bem. Isso não significa que ele esteja sendo mal-educado.

Quando tive consciência disso, por observação — pois já moro aqui há 5 anos —, pude me fazer melhor compreendido na minha comunicação e, até em determinados momentos, explicar como funciona a cabeça do carioca nesse assunto para os paulistas. E isso, de certa forma, foi libertador. E por quê? Porque o conhecimento liberta.

Voltamos ao apóstolo Paulo, que, de fato, sabia algo a mais sobre tudo isso que pensamos até aqui sobre liberdade. Ele diz: “O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.

Voltamos ao apóstolo Paulo, que, de fato, sabia algo a mais sobre tudo isso que pensamos até aqui sobre liberdade. Ele diz que: “O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. É muito importante contextualizar essa fala. O discípulo de Cristo estava falando sobre os homens que obtiveram acesso à glória de Deus pela lei mosaica, mas essa lei não era lida com o Espírito e, por isso, teve diversas más interpretações. Porém, agora, na nova aliança, por intermédio de Cristo, conseguimos ter o Espírito para a interpretação correta.

A aproximação de Deus nos faz, de fato, ter uma liberdade maior. Somos muito influenciados pelo exemplo dos nossos pais, depois pelo meio social em que vivemos, e isso já ocupará bastante espaço nos nossos gostos. Quando você chega à adolescência, você já não é uma página em branco. Logo, constatamos que nosso círculo social nos condiciona a determinadas escolhas. Mas, ao nos aproximarmos de Deus por intermédio de Cristo — o único caminho para Ele —, esse círculo vai sendo retirado, pois começamos a ter conhecimento da verdade. Temos o real exemplo do que é genuinamente bom, do que é genuinamente correto, do que é ser genuinamente feliz. E aí, a liberdade deixa de ser condicionada e se torna uma característica: “eu sou livre”.

Meus amigos, quão bom é Deus, que nos proporciona tal deleite: o da verdadeira liberdade. Jesus diz: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Vejam como há total lógica por trás da afirmação de Jesus e como um carioca que mora em Pinda e vivenciou uma divergência de cultura poderia deixar de ser apenas um carioca condicionado por sua cultura e se tornar um cidadão do Reino, onde todos buscam tal cidadania, porém nem todos sabem onde encontrá-la.

Com isso, concluímos que a liberdade é para ser uma característica pessoal e, ao entregarmos nosso arbítrio a Deus, Cristo nos mostra a verdadeira liberdade, que é concebida em uma nova personalidade pelo Espírito.

Deus quer te libertar do mundo (círculo social), de você (sua carne) e da mentira (Diabo). E, quando Ele fizer isso, só te restará a opção de permanecer n’Ele para permanecer livre.

Seja livre hoje!

A Liberdade

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